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MÁRIO BARILA USA A ARTE DA FOTOGRAFIA PARA DAR ‘VOZ’ À AMAZÔNIA E SEUS HABITANTES

Além de apoiar diversas ações ambientais, o fotógrafo e ambientalista se dedica ao projeto Brasil Vivo, que destaca a importância de preservar a maior floresta tropical do planeta

Mais do que um hobby, a fotografia é uma poderosa ferramenta para Mário Barila impulsionar iniciativas socioambientais. Desde 2014, o fotógrafo e ambientalista percorre o país com o Projeto Água Vida, criado para promover e financiar ações de preservação da natureza com recursos levantados pela comercialização de suas fotos. Agora, as obras fotográficas de Barila serão a bandeira de seu mais novo projeto, o Brasil Vivo, que busca chamar a atenção da sociedade para a importância da floresta amazônica na sobrevivência de diversas comunidades ribeirinhas e das espécies nativas, muitas delas ameaçadas de extinção.

Economista de profissão, Mário Barila começou a se dedicar à fotografia, sua paixão desde a adolescência, após se aposentar. Especializou-se nesta arte com o renomado fotógrafo Araquém Alcântara, famoso por retratar a fauna e flora brasileiras. Sensibilizado com pessoas em situação de extrema pobreza e com as questões ambientais encontradas em suas viagens pelo Brasil e pelo exterior, Barila iniciou sua militância em prol das causas ecológicas e sociais, tendo a fotografia como aliada.

Com o Projeto Água Vida, o fotógrafo participa ativamente de ações que contribuem para o reflorestamento e a proteção de animais em extinção em diferentes partes da Amazônia. No Amazonas, por exemplo, Barila esteve em iniciativas desenvolvidas pelo biólogo Marcelo Gordo, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e do ICMBio, em prol do sauim-de-coleira, espécie de primata encontrada apenas na região de Manaus (AM).

E no Pará, implementou um bosque com cerca de mil árvores amazônicas, todas em risco de extinção na natureza; financiou a instalação de um viveiro de mudas de árvores e plantas medicinais nativas e um poço artesiano para irrigação, na Ilha de Cotijuba. No início deste ano, o Projeto Água Vida uniu-se ao Instituto Amigos da Floresta Amazônica (Asflora) para devolver à natureza novas espécies de sumaúmas, reproduzidas a partir das sementes extraídas de uma árvore que viveu cerca de dois séculos ao lado da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará.

As mudas de sumaúmas foram cultivadas no viveiro de plantas nativas da Amazônia do Asflora, doado pelo Projeto Água Vida, e plantadas no Parque Zoobotânico Mangal das Garças (centro histórico e cartão-postal de Belém), em Marituba, Benevides, nas áreas ribeirinhas e quilombola de Santa Isabel do Pará, na comunidade ribeirinha de Cotijuba e na mata ciliar de Santa Bárbara do Pará. Em agosto deste ano, as mudas foram doadas ao Bosque Rodrigues Alves para a criação do Santuário das Sumaúmas.

O clamor da Amazônia – Com o projeto Brasil Vivo, a ação cultural de Barila reforça o objetivo do Projeto Água Vida na região amazônica: inspirar e semear a consciência ecológica, abraçando causas que contribuam para a recuperação de áreas degradadas e a preservação da fauna e flora nativas. A ideia é mostrar um pouco da vida e dos legados da maior floresta tropical do mundo, constantemente ameaçada por queimadas, garimpo ilegal, avanço da área urbana e desmatamento. Também pretende apresentar o contraponto dessa realidade, destacando programas sustentáveis na Amazônia e no Pará, dos quais participou em parceria com ONGs, institutos ambientais e a população local.

Aprovado pelo Programa Nacional de Incentivo à Cultura e em fase de captação de recursos, o Brasil Vivo contará com o lançamento de um livro de fotografias, exposições e palestras em São Paulo e nos estados da região amazônica. Para esse conjunto de atividades, Barila está produzindo e selecionando imagens que retratam a exuberância da Amazônia, com sua rica diversidade de fauna e flora, a vida da população em torno do Rio Negro, que tira seu sustento da agricultura e da floresta, e a luta das ONGs, institutos e ambientalistas pela preservação das espécies em risco de extinção e de seus habitats.

Entre os casos registrados pelas câmeras de Barila, em recentes incursões pela região nos meses de junho e agosto, estão o das ararajubas, cada vez mais raras no Pará, que estão sendo amparadas pelo Projeto de Reintrodução e Monitoramento de Ararajubas, coordenado pelo biólogo Marcelo Vilarta, no viveiro do Instituto de Desenvolvimento Florestal (Ideflor-Bio).

Da viagem pelo Amazonas, o fotógrafo trouxe em sua bagagem imagens das tartarugas-da-Amazônia, cuja população foi reduzida drasticamente pela caça descontrolada para consumo de sua carne e ovos, protegidas pelo Projeto Quelônios do Rio Negro, além de registros dos encantadores botos.

Para Barila, cada árvore plantada e cada ação de preservação é um gesto de esperança. “Espero inspirar cada vez mais pessoas a se empenharem na luta pelo meio ambiente. Com mais adesões, podemos realizar grandes ações e garantir um futuro saudável para o planeta e para as comunidades que dependem da natureza”, conclui o fotógrafo e ambientalista, que ao longo de 10 anos ajudou a reflorestar manguezais da Lagoa de Mundaú (AL), recuperar áreas devastadas e implantar viveiros em santuários ecológicos como Fernando de Noronha, Ilha do Mel e Niterói (RJ), Mariana e Brumadinho (MG), Bonito (MS) e Chapada dos Veadeiros (GO).

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