Com seu Projeto Água Vida, foram instaladas estruturas para produção de plantas nas cinco regiões do país
O Dia Nacional da Natureza, celebrado em 4 de outubro, é uma data que convida a refletir sobre a importância da preservação do meio ambiente e os riscos de sua degradação. Iniciativas, como as do Projeto Água Vida, idealizado e comandado pelo fotógrafo e ambientalista, Mário Barila, levam a repensar nas atitudes, que podem contribuir para a recuperação e proteção de biomas. Ao longo de mais de 10 anos, o fotógrafo financiou e apoiou a instalação de viveiros de mudas de espécies nativas, em áreas de preservação das cinco regiões brasileiras, em parcerias com as Ongs, associações e instituições de preservação ambiental.
O objetivo da ação, segundo o fotógrafo, é fortalecer o trabalho dessas entidades, criando estrutura para aumentar a produção de mudas nativas, muitas de espécies em extinção ou cuja semente é difícil de encontrar. “Instalar berçários de mudas em diferentes áreas de preservação permite disponibilizar maior quantidade de plantas e sementes com mais agilidade, para ações de reflorestamento. Dessa forma, é possível avançar no processo de recuperação de áreas degradadas e repor as árvores plantadas em outras ações, que por algum motivo não vingaram”, afirma o ambientalista.
Assim, a estratégia do Projeto Água Vida consistiu em apoiar a instalação de um viveiro instalado no sítio do Instituto das Águas da Serra de Bodoquena (IASB), próximo a Bonito (MS), para o cultivo de pés de árvores frutíferas e silvestres, especialmente Manduvi, fundamental para abrigar e alimentar as araras. “A quantidade de árvores dessa espécie vem diminuindo ano a ano, e suas mudas e sementes são difíceis de encontrar nos viveiros e no mercado”, observa Barila. As espécies cultivadas são usadas nos trabalhos de reflorestamento do ICMBio e outras iniciativas ecológicas no Pantanal.
Já a capacidade de produção de mudas de espécies do Cerrado da Associação Amigos da Floresta (DF), foi ampliada neste ano com nova estrutura. E a Associação Cerrado de Pé, entidade de preservação ambiental da Chapada dos Veadeiros (GO), que até agora se dedicava à coleta e processamento de sementes, passa a contar com viveiro, para produzir muda de árvores e plantas nativas, especialmente o Cedro Rosa, que está em extinção.
A Amazônia ganhou, neste ano, um viveiro de mudas de reflorestamento na comunidade da Nossa Senhora de Perpétuo Socorro, sede do Projeto Quelônios do Rio Negro. As espécies nativas cultivadas no sítio serão usadas no reflorestamento às margens do rio, a fim de assegurar o habitat natural das tartarugas amazônicas. E no Pará, o Projeto Água Vida e Instituto Amigos da Floresta Amazônica (Asflora) criaram, na Ilha de Cotijuba, uma estrutura com sistema de irrigação e espaço para produção de árvores, entre elas a Sumaúma, e plantas medicinais nativas.
Em Curitiba (PR) e Eldorado do Sul (RS) passaram a contar com viveiros, para devolver à natureza as espécies da região, principalmente a araucária, árvore que vem perdendo espaço no bioma local.
Essas ações somam-se a outras já realizadas pelo Projeto Água Vida, como a construção de viveiros na região de São Sebastião (litoral paulista), para recuperação ambiental nas encostas dos morros a fim de evitar desmoronamentos na época das chuvas, e em Fernando de Noronha.
Barila ressalta que os berçários de mudas também são uma importante ferramenta de educação ambiental. “As entidades têm aproveitado os viveiros nas aulas de conscientização ecológica, nas oficinas de agricultura sustentável e de manejo do meio ambiente. Dessa forma, podemos inspirar cada vez mais as pessoas a produzir de forma consciente e adotar práticas, que ajudem a recuperar áreas desmatadas e degradadas por lixões, e com isso, integrar o estilo de vida moderno à natureza”, conclui.