Além do registro fotográfico para um projeto de conscientização ambiental, a viagem foi marcada por ações em apoio à preservação de tartarugas amazônicas e pela instalação de um viveiro de plantas nativas
Em parceria com o Instituto Dharma e o Projeto Quelônios do Rio Negro, o fotógrafo e ambientalista Mário Barila voltou ao Amazonas para uma nova incursão do seu Projeto Água Vida — iniciativa de apoio a causas socioambientais financiada pela venda de suas fotos —, e para produzir mais um capítulo do seu novo trabalho de conscientização ambiental: o Projeto Brasil Vivo.
A viagem foi marcada por iniciativas em prol do meio ambiente na comunidade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sede do Projeto Quelônios do Rio Negro. A organização auxilia na reprodução e proteção de três espécies de tartarugas amazônicas, cuja população sofreu redução acentuada devido à caça descontrolada para consumo de carne e ovos. Além de contribuir para o equilíbrio da cadeia alimentar, essas espécies ajudam a “limpar” a água do rio.
Para preservar e aumentar a população de quelônios na região, o projeto cuida da coleta dos ovos, que são levados a uma “chocadeira” natural à beira do lago. Os filhotes são monitorados até estarem prontos para serem soltos na natureza. O método garante de 80% a 100% de sucesso no nascimento dos quelônios, enquanto, pelo processo natural, apenas cerca de 20% dos ovos conseguem eclodir.
Com o objetivo de apoiar a iniciativa da organização, o Projeto Água Vida doou insumos para a construção de um viveiro de árvores e plantas nativas da Amazônia. As mudas cultivadas no local serão utilizadas no reflorestamento de áreas degradadas, contribuindo para a conservação do habitat natural das tartarugas. Também foram plantadas árvores na região e destinado auxílio financeiro para melhorias no tanque de criação dos animais e na construção de uma sala que será usada para programas de educação ambiental.
Conscientização ambiental como foco
Acompanhando a missão médica dos voluntários do Instituto Dharma — organização não governamental (ONG) criada pela médica Karina Oliani para levar saúde e bem-estar às comunidades remotas —, Barila captou cenas que traduzem a beleza natural e a vida em torno do Rio Negro, com destaque para comunidades às margens do Lago Acajatuba e regiões adjacentes.
O registro fotográfico revela como os ribeirinhos sobrevivem com o manejo da floresta e se adaptam ao ciclo natural do rio. Entre as imagens que chamam a atenção está a de um morador que, como todo brasileiro, não dispensa uma pelada, mesmo com o campo invadido pelas águas durante a época das cheias. O acervo inclui ainda fotos encantadoras, como a de um boto dando boas-vindas, filhotes de tartarugas ameaçadas de extinção e a exuberância do Rio Negro, que corta a maior floresta tropical do planeta.
“As fotos produzidas no Amazonas têm como objetivo mostrar a importância da contribuição da sociedade para a preservação do ecossistema — tanto da fauna e flora locais quanto da população carente, que depende dos recursos naturais para sobreviver”, ressalta Barila.
O Projeto Brasil Vivo reunirá imagens de diversos programas sustentáveis no Amazonas, dos quais o fotógrafo participou em parceria com ONGs, institutos ambientais e a comunidade local. Entre os destaques está o Plano de Conservação do Sauim-de-coleira, do ICMBio, coordenado pelo biólogo Marcelo Gordo, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com o objetivo de proteger essa espécie de primata, encontrada apenas na região de Manaus (AM).
Aprovado pelo Programa Nacional de Incentivo à Cultura e em fase de captação de recursos, o Brasil Vivo tem como proposta semear a consciência ambiental, destacando como pequenas iniciativas de voluntários podem fazer a diferença na preservação do ecossistema. “Cada espécie animal e vegetal desempenha um papel na natureza. Ao preservá-las, podemos garantir o equilíbrio de todo o bioma”, observa Barila.