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GORDURA MARROM: COMO O FRIO PODE ATIVAR ESSE “ACELERADOR NATURAL” DO METABOLISMO

Especialista destaca que a prática de atividade física no inverno ativa um tipo especial de tecido do corpo que ajuda a queimar calorias e combater doenças metabólicas

Exercitar-se regularmente é comprovadamente benéfico para a saúde, mas as baixas temperaturas costumam frear essa rotina: segundo o aplicativo Strava, a prática de atividades físicas cai até 18% no inverno. Porém, em vez de vilão, o frio pode ser um importante aliado, capaz de potencializar a queima de calorias. É o que explica Juliana Romantini, especialista em desenvolvimento corpo & mente, habilitada em Medicina do Estilo de Vida por Harvard e criadora do método Prática Integral.

Segundo ela, as baixas temperaturas funcionam como um estímulo hormético, ativando mecanismos internos de adaptação que aceleram o metabolismo, fortalecem a mente e regulam o organismo como um todo. Aliás, esse mesmo princípio já é conhecido em outras práticas positivas, como o jejum intermitente e até a sauna. “Treinar nesse período é como dar ao corpo uma chance extra de se fortalecer e se adaptar”, acrescenta.

De acordo com a especialista, a exposição controlada ao frio estimula a chamada gordura marrom, um tipo de tecido que, diferente da gordura branca (que apenas armazena energia), é metabolicamente ativo e auxilia no gasto calórico. Sua coloração mais escura vem da alta concentração de mitocôndrias, estruturas responsáveis também pela produção de energia.

“É como se tivéssemos um aquecedor natural dentro do organismo. Quando estimulada, a gordura marrom transforma calorias em calor, o que não só ajuda a manter a temperatura corporal, como também melhora a queima energética de forma global. Pesquisas já apontam que pessoas com maiores quantidades de gordura marrom apresentam menor risco de desenvolver doenças metabólicas, como obesidade e diabetes tipo 2”, pontua.

Benefícios comprovados – A ciência valida esses benefícios. Um levantamento publicado no New England Journal of Medicine demonstrou que a exposição ao frio leve, mesmo sem exercícios intensos, aumenta o gasto calórico diário e melhora o metabolismo da glicose.

Já um estudo do Journal of Clinical Investigation mostrou que duas horas de exposição a 16°C por dez dias elevaram em até 30% o gasto energético dos participantes por meio da ativação da gordura marrom.

Além da queima de gordura, a prática de atividade física em temperaturas mais baixas pode também contribuir para reduzir inflamações, melhorar a imunidade, equilibrar o humor e aumentar o foco.

Por isso, Romantini reforça que é justamente no inverno que vale a pena persistir na rotina de exercícios. “Muitas pessoas fogem do treino quando o frio chega, mas é nesse período que podemos colher ganhos únicos para o organismo. Treinar em baixas temperaturas é ativar um poderoso mecanismo natural do corpo”, conclui.

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